Eu sei o que é receber a indicação de uma órtese craniana para um bebê e, logo em seguida, uma negativa do plano de saúde. Foi o que aconteceu com a minha filha. Hoje ela tem 9 anos, e essa fase é só uma lembrança, mas me recordo bem da angústia de ver o tempo de tratamento passando enquanto a resposta do plano era “não”. Conseguimos a cobertura na Justiça, e essa experiência foi uma das razões que me levaram a me dedicar ao Direito da Saúde. Por isso escrevi este texto: para que outras famílias saibam que essa negativa pode ser questionada e entendam o que fazer.

A órtese craniana, conhecida como capacete craniano, é um dispositivo feito sob medida e indicado para tratar assimetrias do crânio do bebê, como a plagiocefalia (achatamento de um dos lados da cabeça) e a braquicefalia (achatamento da parte de trás).
O tratamento aproveita a fase de crescimento acelerado do crânio nos primeiros meses de vida. Por isso, o fator tempo é decisivo: quanto mais a autorização demora, menor a janela em que o tratamento produz o melhor resultado. A indicação, o momento de início e a duração são sempre definidos pelo médico que acompanha a criança.
As justificativas mais comuns nas negativas são:
A Justiça tem entendido, de forma reiterada, que essas negativas são abusivas quando existe prescrição médica fundamentada. O Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento de que é devida a cobertura de órtese craniana indicada para o tratamento de braquicefalia e plagiocefalia posicional. Tribunais de diversos estados seguem essa linha.
Os principais fundamentos são:
Cada caso, porém, depende do contrato, do relatório médico e das circunstâncias da criança.
Muitas famílias, para não perder o tempo de tratamento, acabam pagando a órtese, mas é possível buscar o reembolso judicialmente. Guarde notas fiscais, recibos, a negativa do plano e o relatório médico.
A ausência no rol, por si só, não tem sido aceita pelos tribunais como justificativa suficiente quando há prescrição médica fundamentada.
Quando há indicação médica para corrigir uma deformidade craniana e prevenir consequências funcionais, os tribunais não o consideram estético.
Depende do caso e do juízo. Por isso, quanto antes os documentos forem reunidos, melhor.
Pode ser possível, dependendo do caso e do prazo. Vale uma análise individual.
Conte brevemente o que aconteceu e informe a idade do bebê e a data prevista para o início do tratamento.